Nem toda dívida pesa igual. O cartão de crédito no rotativo pode cobrar juros acima de 400% ao ano, enquanto um financiamento de bens costuma ter taxa bem menor, muitas vezes abaixo de 30% ao ano. Quitar na ordem errada faz você continuar pagando juros altos por mais tempo do que precisaria, mesmo destinando o mesmo valor todo mês ao plano.
Existem dois métodos consagrados para decidir a ordem de ataque, e cada um serve melhor a um perfil de pessoa. Conhecer os dois evita a armadilha de escolher no impulso e depois desistir por falta de resultado visível.
Você paga o valor mínimo em todas as dívidas e destina qualquer valor extra para quitar primeiro a de maior taxa de juros. Matematicamente, é o caminho que economiza mais dinheiro no total, porque corta primeiro o que mais cresce. A desvantagem é que, se a dívida de maior juros também for a de maior valor, o primeiro resultado visível pode demorar meses para aparecer.
Você quita primeiro a dívida de menor valor total, independentemente da taxa de juros, para sentir uma vitória rápida logo no início. Ele custa um pouco mais em juros ao longo do processo, mas funciona melhor para quem precisa de resultado concreto e rápido para manter a motivação e não desistir do plano nas primeiras semanas.
Não existe método ‘certo’ de forma absoluta — existe o método que você consegue seguir até o fim. Uma pessoa que já tentou um plano antes e desistiu na terceira semana provavelmente se beneficia mais da bola de neve, pela motivação; uma pessoa disciplinada e organizada tende a economizar mais com a avalanche.
Um erro comum é misturar os dois métodos no meio do caminho, mudando de ordem toda vez que aparece uma cobrança mais barulhenta. Isso quebra o ritmo do plano e faz o valor destinado à quitação se diluir entre várias dívidas ao mesmo tempo, sem concluir nenhuma.
Existe ainda uma abordagem híbrida, usada por quem quer o melhor dos dois mundos: começar quitando uma ou duas dívidas pequenas pelo método bola de neve, para sentir o ganho de motivação logo nas primeiras semanas, e depois migrar para o método avalanche nas dívidas restantes, já com mais confiança de que o plano funciona na prática. Essa combinação costuma agradar quem nunca conseguiu manter um plano financeiro por mais de um mês.
Um ponto importante, independentemente do método escolhido: o valor mínimo de todas as outras dívidas continua sendo pago normalmente, todo mês, sem exceção. O método define apenas para onde vai o valor extra disponível — nunca justifica deixar de pagar o mínimo combinado nas dívidas que não são a prioridade do momento, sob risco de gerar nova negativação ou nova multa por atraso.
- Escolher um método e mudar de ordem toda semana, sem dar tempo para o plano mostrar resultado.
- Deixar de pagar o valor mínimo das dívidas que não são prioridade no momento.
- Ignorar dívidas pequenas por acreditar que ‘não fazem diferença’, quando na verdade fecham rápido e liberam fôlego no orçamento.
E se eu conseguir reduzir a taxa de juros de uma dívida negociando com o credor? Depois de qualquer negociação bem-sucedida, atualize a taxa na sua planilha e reavalie a ordem de prioridade — uma dívida que tinha a maior taxa pode deixar de ser prioridade se o credor aceitar reduzir os juros durante a negociação descrita no próximo capítulo.
Esta aula faz parte de um material completo
O que você acabou de ler é um trecho de Como Sair das Dívidas — material com 17 capítulos que seguem exatamente esse caminho, do começo ao resultado.
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