Antes de tentar economizar, é preciso enxergar todos os custos que existem. A maioria dos motoristas conhece bem o combustível, porque é o gasto mais visível e frequente, mas esquece custos que aparecem uma vez por mês ou uma vez por ano e que, somados, pesam tanto quanto o combustível ou mais.
Separe seus custos em duas categorias. Custos fixos são aqueles que existem independentemente de você rodar muito ou pouco naquele mês: IPVA, seguro do carro, licenciamento anual, parcela do financiamento se o carro ainda estiver sendo pago, e a contribuição para o INSS caso você opte por contribuir como autônomo. Custos variáveis são aqueles que crescem conforme você roda mais: combustível, desgaste de pneu, óleo e filtros, lavagem, pedágio, estacionamento e alimentação em jornada.
Depois de mapear todos os custos fixos e variáveis de um mês, some tudo e divida pela quantidade de quilômetros rodados naquele mês trabalhando pelo aplicativo. O resultado é o seu custo por quilômetro, um número poderoso porque permite comparar qualquer corrida oferecida com o custo real de fazê-la.
- Esquecer custos anuais porque eles não aparecem todo mês.
- Contar apenas o combustível e ignorar pneu, óleo e revisão como se fossem gastos de outra vida.
- Não atualizar a planilha depois de trocar de carro ou mudar de cidade, deixando o cálculo desatualizado.
- Achar que o carro já está pago então não tem custo, esquecendo do IPVA, seguro e desgaste contínuo.
Fazer esse mapeamento uma vez por mês, de preferência sempre no mesmo dia, cria o hábito de acompanhar a saúde financeira da atividade como um todo, e não só o dia a dia isolado.
Veja como fica o mapa de custos de um motorista fictício num mês comum, já separando fixo de variável e já mensalizando os itens anuais:
Com esse total em mãos, basta dividir pela quilometragem rodada no mês para chegar ao custo por quilômetro, exatamente como mostrado mais adiante neste capítulo. Manter esse mapa atualizado todo mês é o que transforma decisões financeiras de suposição em cálculo, e é a base para todos os capítulos seguintes deste manual.
Pergunta: E se eu não tiver todos os recibos e notas para montar esse mapa de custos com precisão?
Resposta: Comece com estimativas razoáveis baseadas na sua memória e nos extratos que você tiver, como fatura de cartão ou aplicativo de combustível. Com o tempo, guardar nota fiscal de cada gasto torna o mapa mais preciso, mas um mapa aproximado já é muito melhor do que nenhum mapa.
Pergunta: Vale a pena recalcular o custo por quilômetro toda semana?
Resposta: Não é necessário. Recalcular uma vez por mês costuma ser suficiente, a menos que algo mude de forma relevante, como troca de carro, mudança de cidade ou alteração significativa no preço do combustível.
Pergunta: O que fazer se o custo por quilômetro calculado ficar maior do que eu esperava?
Resposta: Use esse número como ponto de partida para investigar onde o gasto está concentrado, revisando a tabela de custos fixos e variáveis apresentada neste capítulo. Muitas vezes um único item, como manutenção atrasada ou seguro caro, explica boa parte da diferença.
Faça agora: liste, numa folha ou planilha simples, todos os custos fixos que você tem hoje (seguro, IPVA, financiamento, contribuição previdenciária) e mensalize cada um dividindo por doze quando for anual.
Esta aula faz parte de um material completo
O que você acabou de ler é um trecho de Motorista de App: Mais Lucro por Corrida — material com 17 capítulos que seguem exatamente esse caminho, do começo ao resultado.
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