Muita propriedade familiar produz bem, mas não sabe exatamente quanto gasta para produzir — e isso torna quase impossível saber se está ganhando ou perdendo dinheiro em cada safra ou criação. O primeiro passo para uma gestão financeira saudável é anotar, mesmo que num caderno simples, tudo o que entra e sai: sementes, mudas, ração, adubo, combustível, mão de obra, manutenção de equipamento.
Separando custos fixos de custos variáveis
Custos fixos existem mesmo que a propriedade não produza nada naquele mês: manutenção de cercas, depreciação de equipamentos, parcela de financiamento, energia elétrica básica. Custos variáveis mudam conforme a quantidade produzida: sementes, ração, embalagem, combustível usado no transporte da colheita, mão de obra contratada para um pico de serviço. Essa separação parece simples, mas é a base de praticamente todo o resto do controle financeiro do negócio.
O ponto de equilíbrio: quanto você precisa vender para não ter prejuízo
O ponto de equilíbrio é a quantidade mínima que você precisa vender para cobrir todos os custos fixos e variáveis, sem lucro nem prejuízo. Para calcular de forma simples: some todos os custos fixos do período, divida pela margem de contribuição de cada unidade (preço de venda menos custo variável por unidade). O resultado mostra quantas unidades precisam ser vendidas apenas para “empatar”.
Mão de obra familiar: o custo que costuma ser esquecido
Um dos erros mais frequentes na gestão de propriedades familiares é não contabilizar o valor do próprio trabalho. Se um filho, uma esposa ou o próprio produtor dedica horas à produção, esse tempo tem valor — e precisa entrar na conta, mesmo que não haja um pagamento formal circulando. Caso contrário, é fácil “trabalhar de graça” sem perceber, porque o dinheiro que sobra no fim do mês parece lucro, mas na verdade só está cobrindo o trabalho que ninguém contabilizou.
Uma forma prática de resolver isso é estimar um valor de hora de trabalho (por exemplo, com base no salário mínimo regional dividido pelas horas de uma jornada) e multiplicar pelas horas dedicadas por cada pessoa da família à produção. Esse valor entra como custo variável ou fixo, dependendo da atividade, e ajuda a enxergar o negócio com mais realismo.
PLANILHA MENSAL DE CUSTOS
Mês/ano: ____
Custos fixos do mês: ____
Custos variáveis do mês: ____
Horas de mão de obra familiar x valor da hora: ____
Total de custos do mês: ____
Quantidade produzida no mês: ____
Custo por unidade (total dividido pela quantidade): ____
Ferramentas simples para registrar custos no dia a dia
Não é preciso nenhum sistema caro para manter um bom controle de custos. Um caderno simples, dividido em colunas por data, descrição, tipo de custo (fixo ou variável) e valor, já resolve para quem está começando. Para quem tem acesso a celular com internet, aplicativos sem custo de planilha, ou até um simples arquivo de anotações compartilhado entre os membros da família, ajudam a manter o registro atualizado mesmo quando mais de uma pessoa faz compras para a propriedade durante a semana.
Esta aula faz parte de um material completo
O que você acabou de ler é um trecho de Agronegócio Familiar: Gestão e Venda Direta com Mais Margem — material com 18 capítulos que seguem exatamente esse caminho, do começo ao resultado.
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